Thursday, May 10, 2007

wicked indeed

Wednesday, May 09, 2007

Curvas


Sinto falta

da luz curva

reflectida

na noite

do teu corpo

Friday, November 17, 2006

Carnes castigadas


Em segredos e pactos

Sagrámos um novo horizonte
Inventámos um novo Levante
Criámos nova nau a Caronte
Selámos o Beijo no rompante

Anseio
Pelo vislumbre
Dos silêncios
Entre as palavras
Que denunciam
O
Esplendor
Do teu ser

O sol
incendeia-se com a fúria
que tenho
a lua
lívida
tirrita azul
no véu obscuro
das saudades
do teu sal
das lágrimas, do suor na pele
que saboreio
no braseiro
ido
de teu corpo ígneo
enrubescido
aveludado
sôfrego e espasmódico
desnudado


as costas e a garganta
arranhadas
do bramir e clamar das carnes
castigadas
na procura de ti

Entrevista




Entrevista a mim mesmo:

Eu: Qual é a sua posição em relação ao aborto?

Eu (também): Nem sim, nem não, bem antes pelo contrário. Tenho dias, momentos, instantes e as opiniões são todas mutáveis em relação às circunstâncias temporais acima referidas.

Eu (outra vez): e em relação à eutanásia?

Eu, (embora outro, e diverso dos anteriores): sou absolutamente contra a eutanásia, embora seja completamente a favor do aborto rectroactivo. E do suicídio entusiástico! Aliás acho que chegou a altura de aplicar a economia à demografia.

Eu: como assim?

Eu (diverso de todos os anteriores excepto de um): Mark my words: especialização, massificação e globalização, no suícidio é claro. Sou um neo-liberal mitigado e contemplo uma intervenção estatal nas salas de suicídio assistido.

Eu: mas então é favorável à eutanásia!

Eu (aquele que tem respondido às diversas questões): De todo em todo, considero isso uma grave violação dos direitos humanos.

Eu: Agora é que não estou a perceber nada.

Eu (o penúltimo a ter falado): É muito simples. Quem quer socorrer-se da eutanásia, quer morrer. Ora, a única forma de não colidir com a esfera privada do indivíduo é dar-lhe aquilo que ele quer. Mas se a pessoa quer morrer, não a podemos matar porque depois seria impossível praticar a sua vontade. Portanto temos de a obrigar à vida por forma a poder assegurar-lhe o gozo sustentado da morte. É que, quem vive morre um pouco todos os dias.

Tuesday, November 14, 2006

old friends



Let’s talk about two old friends of mine
Because I’m sure you’ve met them
And of course, if you haven’t, that’s fine
Both, will rapture your bright soul gem

The traitors of mankind
With their evil all seeing
Eye started a plot that bind
Us all to Death and being

They started the chain
Of evil cruel events
Ignite the spark of pain
That today to us presents

I no longer want more of this wine
Preyed the Assyrian winged Bull
Although it is delightful and fine
I prefer to drink a cup that’s full

Of filthy innocence and blood!

To ever unveil this tide of times
Crossing unholy Christian ages
Meet the carpenter son crimes
Put his followers in their cages

Bring a fiery ever lasting flood!


Yep, you’ve probably guessed that’s the first
friend I was talking you about a wile a go
Yet, let’s meet the last and its devilish thirst

In this pyramid, savage, is so boring
Said the old stone sphinx whore,
No one to slay and no pain soaring
No soul splinter or thorn to adore

No sweet flesh, no ill torment
To unleash my claws of descent
Long lost, ancient, yet present

Friday, November 10, 2006


Eleva-me a alma
Tira-a desta urna
Da
Funerária calma
E leva-a à diurna
Luz

Ensina-a a voar
Acima deste ar

Rasga num gesto
o nó que a prende

Ao peso impresto
Do sol que ascende
Luz





Gloriosa aurora
Do nascer solar
onde a tua pele infinita mora
e o ar do céu beija o sal do mar
e aí se estende, dentro e fora,
de mãos dadas com o meu olhar
onde namora
o meu velar

Thursday, November 09, 2006




Ela telefonou-me, mas eu não ouvi o toque do telefone, e quando vi, não reconheci o número. Do outro lado estava lá estava ela.
A rapariga-que-tinha-a-voz-mais-triste-do-mundo. Telefonou-me por tudo e por nada, por causa da casa, pelo naufrágio, pelo pai dela e pelo ágio.

Ela telefonou-me, mas eu não ouvi. Os motivos eram todos errados, e os silêncios murmurados, não chegaram para resgatar o sentido perdido da incomunicação estéril, dos signos trocados, de insuficientes significâncias que me amainassem o espírito boleante na tempestade.

Eu não ouvi. Como ela não ouviu nada. Há muito que ambos estamos mutuamente surdos para o outro. Em terras, planos, continentes, totalmente diferentes. Partilhámos um sonho breve e um pesadelo longo, mas isso vai tão longe que não consigo sequer encontrar as marcas no horizonte da memória. Um mar, um abismo e um céu de distâncias apartaram definitivamente o laço do nosso abraço.

Amén


(Após a abertura do círculo, enquanto penso no que a Pink escreveu)

Invocação:

Flâmula luz esparsa aqui côncava concorra em fio
Erga-se entre estes mundos a ponte de puro cristal
Tecida na trama, teia entrelaçada do puro amor pio
Fundida lá na forte forja vulcânica da faísca Vestal

A mim! Espectros áureos, anjos luminosos amados
Cavalvai, galopai as nebulosas torrentes da distância
Escutai prestes, súbitos, a súplica dos meus chamados
Vinde, com o Raio Santo dos El(-)hoch-im armados

Trazei o nardo o incenso e o ouro, do Arca, Gabri-el
Senhor de toda a Geração Sagrada e da Lua de Prata
Lá da Casa Solar dos Arcanjos comparecei, Micha-el
Arrastai o mensageiro do cometa dos Reis que desata

Os fios da ignição do eterno renascimento do Cristo
Perpetuamente nascido em Belém, Lisboa ou na Cruz
Para bênção pura, eterna beleza e consagração nisto:
Na douçura eterna do perfume sacro e santo da luz

Ao Altar a Oriente:

Na luz
do coração e do brilho dos olhos
da alma das crianças, da canalhada
do riso, da alegria e da gargalhada
da Aurora Eterna dos Ouroboros

Na Luz
Que retroage as mágoas infantis
E ilumina a multidão das noites
E nos dá fragâncias a flor-de-lis
E reverte o sentido dos açoites



Faz
Do naipe esparso das penas perdidas
O Ás
Do jogo, das asas tuas, tão queridas

Um dia rasgarás as nuvens da leveza animada
E Sim!
Um dia aspirarás a doce ambrósia divinizada
Assim!
Nessas asas dos olhos do coração, tuas amadas

Digo-te

Um dia serás tu, o fogo e a Fénix incendiária
De ti próprio e das cinzas de ti, Renascendo
Ciclicamente no Amor à luz da paixão diária
Transmutando em ouro tudo o que vais vendo

Não seja mais o nadir
Quero ao zénite subir

Amén

Tuesday, November 07, 2006

Quando estava no inferno


Quando estava no inferno alimentei o meu basilisco
com flores de hibisco

Quando estava no inferno troquei sem querer Samael
por Gabriel

Quando estava no inferno tive tudo aquilo que quiz
e assim fui feliz

Quando estava no inferno tudo no mundo se invertia
a noite era dia

Quando estava no inferno
não havia nenhum inverno

Quando saí do inferno deram-me os céus para amar
e negaram-me asas para os alcançar

Pergunto





Quando os nossos se dias esgotarem,
na frescura de então, há muito, já ida
no pálido reflexo de luz nas sombras
das rugas da experiência desta vida,

Lembrar-te-ás?

Do nosso Templo, das juras de amor
plenas do rosmaninho e do jasmim
que a lua celebrava num rito sem fim
e a certeza abraçava sem dúvida ou dor

Lembrar-te-ás?

Dos simples e ternos tempos felizes
Esse éden de cujo fruto saboreávamos
Nessa alvorada em que, como petizes
Eternamente de mão dada, andávamos

Lembrar-te-ás?

Dessa era ante-deluviana, toda lucente
Toda ela risos, cumplicidade e alegria
Ainda sem prenúncio algum presente
Das cinzas futuras em tal fogo já jazia

Lembrar-te-ás?

Das nuvens do trovão e da tempestade
Abafando no silêncio as gargalhadas
apertando as gargantas na imensidade
apartando-nos em brutais machadadas

Ou lembrar-te-ás, como eu, do som que o silêncio já tinha, das unhas nas costas e das garras na alma, a corroer levemente o nó que nos sustinha?

Do secreto despontar da tristeza no olhar, do látego da paixão e das esporas da possessão, da incerteza no ar e da morte e da fúria do que fomos, naquilo que hoje somos.

Da loucura, da obssessão, como fonte perpétua e impura de absinto na noite escura de toda e qualquer encarnação.

Será que minto? Recordarás as noites insones e o sempi-eterno nó corrediço montado por cima do passadiço do abismo, prestes a desabar como cataclismo?

Vou pelo corredor da morte e já não há nada a perder, clamo por ti e tu não vens, dirijo-me ao quarto onde mordo de morte as asas de um qualquer anjo que tinhas vestido, e parto a imagem dessa miragem que me assolou como um sonho e pesadelo.
Depois sigo para o Norte